quinta-feira, 5 de abril de 2018

O Motorneiro e a sua Farda

    Em nosso Museu Itinerante Memória Carris temos um manequim vestido com a farda de um antigo motorneiro. Sempre que somos visitados, contamos que este uniforme é uma vestimenta original, que foi realmente utilizada por um antigo colega da Carris na execução de suas atividades como motorneiro. Nosso objetivo com esta explicação é demonstrar ao pessoal que nos visita que este uniforme é um objeto histórico, que nos ajuda a pensar sobre o cotidiano de trabalho das antigas tripulações dos bondes elétricos de Porto Alegre. 
     O fato do uniforme ter pertencido a um motorneiro real e de ter realmente circulado nos bondes elétricos de uma cidade no passado desperta muitas imaginações! Muitas vezes recebemos perguntas sobre o antigo dono da vestimenta: seu nome, se trabalhou muito tempo na Carris, quais as linhas em que ele trabalhou.... Principalmente as crianças demonstram bastante curiosidade. 
    Esta semana, realizando uma pesquisa em nosso acervo de jornais "Volante" (jornal de circulação interna da Carris, entregue aos funcionários), encontramos informações sobre o antigo motorneiro dono da farda em questão. Na edição do jornal de agosto de 2001 está escrito: 
"(...) - Motorneiro doa a sua farda para o Museu da Carris - O motorneiro Cândido de Almeida doou sua antiga farda de motorneiro, guardada há mais de trinta anos, para o Museu da Carris. Em ótimas condições de conservação, o uniforme é mais uma peça valiosa para a memória da empresa. Cândido Almeida esteve presente, em julho, no Primeiro Encontro dos Motorneiros da Carris (...)". 
    Se a farda tinha mais de trinta anos em 2001, hoje ela tem quase cinquenta anos. Mesmo estando exposta por dezessete anos em nosso ônibus/museu as suas condições de conservação continuam excelentes, o que demonstra a qualidade do tecido utilizado em sua fabricação. 
    Em abril de 2013 entrevistamos uma antigo motorneiro da Carris para o nosso Banco de História Oral. O Sr. Darci Ibsen Fagundes da Rosa trabalhou como Motorneiro na empresa entre 1952 e 1967. Sobre o uniforme o Sr. Darci lembra: 

"(...) ENTREVISTADOR - A gente nota olhando as fotos antigas, que os uniformes dos funcionários eram muito alinhados. Tinha algum tipo de cobrança da direção da empresa, dos superiores, em relação aos uniformes, de tu estares sempre alinhadinho? 
SR. DARCI - O uniforme, tem uma camisa aqui que eu usava naquela época e era do uniforme [Sr. Darci mostra uma camisa que ele levou para a entrevista para conhecermos].
ENTREVISTADOR - Deixa eu pegar a camisa, ela é bem grossinha, né? O senhor não sofria com o calor? Inverno e verão era sempre o mesmo uniforme?
SR. DARCI - Casaco, camisa e boné. Tu tinhas que estar sempre com a barba bem feitinha e bem arrumado. Tinha funcionário que ia todo engomado. Até tinha um amigo meu que chamavam de 'jacaré', porque ele era todo engomado. Era roupa, era tudo engomado. 
ENTREVISTADOR - Mas por que 'jacaré'?
SR. DARCI - Porque ele era todo engomado, ele ficava duro de tão engomado, que nem um jacaré (...)". 

   A farda de motorneiro é um vestígio marcante da experiência profissional destes senhores. O que deduzimos pela conservação destas vestimentas por muitas décadas depois de encerrado o exercício da profissão. Estar bem alinhado, "bem engomadinho" como diz o Sr. Darci, era um motivo de orgulho, uma forma de demonstrar "capricho" com o trabalho. 
   Sabemos, que todos os objetos que são doados ao nosso setor de memória carregam uma quantidade grande de significados para os seus antigos donos. Algo que não conseguimos alcançar apenas "olhando" o objeto. É sempre necessário uma contextualização, uma conversa anterior sobre os usos e as lembranças trazidas pelo artigo que será doado. Faz parte do nosso trabalho receber estes objetos e estas memórias sempre de uma forma muito respeitosa e com muita gratidão pela confiança que esta sendo depositada em nós. Esperamos que eles sirvam a todas pessoas que visitam o nosso acervo como uma "ponte" para uma melhor compreensão do passado de nossa cidade! 



    

segunda-feira, 26 de março de 2018

Dupla Viagem

     O transporte público está no cotidiano das pessoas. A maioria de nós utiliza ou já utilizou bondes, ônibus ou lotações para a realização de suas atividades diárias. Com 145 anos de existência, a Cia. Carris está presente no dia-dia de porto alegrenses das mais diversas gerações. Esta presença diária, gera muitas histórias e lembranças que são transportadas pelos usuários dos veículos da Carris. Alguns destes usuários têm a sensibilidade necessária para enxergar o cotidiano com olhos de poesia, este é o caso do escritor Charles Kiefer, morador de Porto Alegre e autor do texto "Dupla Viagem". 
   Encontramos o texto citado num trabalho de reorganização de documentos da Cia. Carris (que como nossos amigos podem imaginar, é um trabalho que não termina nunca!). Iremos reescrever o texto e convidamos os nossos amigos a pensarem sobre suas próprias viagens de ônibus e se também "viajam" duas vezes no transporte coletivo: 

"Sempre que ando de ônibus faço duas viagens: uma, em direção ao meu destino geográfico, seja o Mercado Público, o bairro São Geraldo, ou a Azenha; e outra, em direção ao tempo, aos espaços indefinidos da memória e dos sonhos. Sempre que posso, deixo o carro na garagem, por que a minha alma não quer a concentração neurótica do motorista solitário, minha alma tem necessidade de janelas e de ócio, minha alma quer viajar além da Farrapos, da Mauá, da Ipiranga. Por ruas e avenidas congestionadas, elaboro enredos e personagens. Imagino, por exemplo, uma história que principiasse assim: 
'Tudo começou em uma noite qualquer de 1872, ano em que os bondes da Carris começaram a circular. Desde o dia anterior, um denso nevoeiro descerá sobre a cidade.Saí de casa com a sensação de que algo especial, definitivo  me esperava. Na medida que caminhava, sentia o nariz como que chocando-se com uma substância fria e gelatinosa. Em poucos minutos, estava com o cabelo e a barba molhados. Resolvi tomar o bonde. O motorneiro, um velho asmático e corcunda, já me conhecia. Indiferente a sua saudação, sentei-me bem ao fundo, de onde pudesse controlar tudo. Os dedos da minha mão acariciavam a pistola de dois canos no bolso do casaco. Fechei os olhos por algum instante e fiquei a ouvir os estalidos secos das rodas nos trilhos...'
 Não sei como há de prossegui a história, sequer sei quem é este passageiro que atravessa Porto Alegre numa noite qualquer do século passado. O que sei é que se eu quiser continua-lá, terei de andar muito de ônibus. Mas o melhor mesmo seria viajar num daqueles bondes amarelos, vagarosos e tilintantes que há 125 anos encheram Porto Alegre de emoção e espanto!"


   
    

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Entrevista com o colega Sidnei

   Na última terça-feira nossa equipe entrevistou o colega da operação Avelino Sidnei Almeida Cavalheiro, conhecido na Carris apenas como Sidnei. O Sr. Sidnei ingressou na Carris como motorista em 1995, em 2007 assumiu uma vaga de monitor. Antes disso, trabalhou por quatorze anos como motorista da SOPAL (Sociedade de ônibus Porto Alegrense), empresa de ônibus da zona norte de Porto Alegre. 
   Além de realizar suas funções na operação da empresa,  nosso colega se destacou pela sua participação no grupo de Voluntários da Carris, por ter feito parte da CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidente), por ter participado da Comissão de Funcionários e por ter integrado o grupo "Vida que te Quero Verde", criado no início dos anos 2000 para prevenir e combater a dependência em  álcool e outras drogas entre os colaboradores da Carris.  
     Participando de tantas iniciativas diferentes, o Sr. Sidnei tem várias histórias para contar. Ele nos falou, por exemplo, que muitas das flores que se encontram na  fachada da Carris e no pátio interno da empresa foram plantadas por ele. Também nos contou sobre os passeios que eram realizados com os colegas para o Parque de Itapuã e sobre as festas que ajudava a organizar aqui na empresa. 
     Uma das informações interessantes que o nosso colega trouxe foi sobre a existência de ações que eram realizadas fora da Carris, auxiliando instituições de amparo. O Sr. Sidnei nos contou que o grupo de Voluntários da Carris apadrinhava algumas destas instituições e as auxiliava de diferentes formas. Para uma casa que acolhia moradores de rua, por exemplo, foi construída uma nova sede (o primeiro abrigo apresentava condições muito precárias). Com doações e o trabalho dos voluntários foi possível erguer uma casa que oferecia condições dignas para os abrigados, com mais quartos e banheiros. Em 2006, o Sidnei foi tema de uma matéria do Volante, jornal interno da Cia. Carris. A seguir, podemos ler o conteúdo desta reportagem: 




      Ao colega Sidnei deixamos o nosso agradecimento por nos confiar o seu depoimento e pelas várias fotografias e documentos digitalizados que ele nos passou. É muito bom poder valorizar pessoas tão entusiasmadas em participar e contribuir pela melhora da qualidade de vida da comunidade e dos colegas.  

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Há um século no Correio do Povo

        Nossos leitores lembram da coluna "Há um século no Correio do Povo"? Temos entre nossos documentos uma pasta com recortes e cópias dos textos publicados nesta coluna nos anos de 2009 e 2010. Muitos destes materiais trazem informações sobre a Cia. Carris e o serviço de bondes da cidade.  Em uma das matérias, por exemplo, ficamos sabendo sobre a origem de uma das fotos de nosso acervo que, inclusive, foi utilizada para a constituição de um dos painéis que compõe a exposição do Museu Itinerante Memória Carris.  Trata-se da seguinte imagem: 





  Nela podemos ver a Praça da Alfândega e a chegada de um bonde modelo Gaiola (Dick Kerr) fazendo a linha Navegantes (letra "N" na capela do bonde). A partir do material encontrado, ficamos sabendo que esta é uma fotografia publicada pelo jornal Correio do Povo de 17 de janeiro de 1909 para ilustrar a seguinte nota: "(...) Na foto, o público saindo do cinematógrafo Recreio Familiar e da confeitaria A Bohemia em direção ao bonde. O cinematógrafo exibia na ocasião o espetáculo "Os Guardas do Farol em Alto- Mar (...)".  Temos a informação, portanto, que as pessoas que aparecem nesta imagem estavam, em sua maioria, locomovendo-se para casa após um momento de lazer no cinema e em uma confeitaria, dois hábitos vistos como elegantes e bastante apreciados no início do século XX. 

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Entrevista com Sr. Rui

    No último dia onze de maio entrevistamos para o nosso banco de história oral o colega Rui Jesus de Barros. O Sr. Rui foi auditor da Cia. Carris por trinta e um anos e estava em seu última dia de trabalho antes da aposentadoria quando recebeu nossa visita. A história deste colega com a Carris é muito rica! Aprendemos muito sobre a história recente da empresa durante uma hora e meia de entrevista com o Sr. Rui. Por ocupar um lugar estratégico dentro da empresa (a auditoria) este nosso colega nos deu acesso a uma visão da Carris que dificilmente alcançaríamos com outras fontes. 
      Nascido na cidade de Nonoai em 1947, o Sr. Rui veio para Porto Alegre no ano de  1968 para trabalhar. Por um período curto de dois anos, nosso colega conviveu com os bonde e chegou a conhecer os troleibus que circularam na cidade entre 1964 e 1968. Antes de trabalhar na Carris teve empregos em diferentes empresas e bancos, sempre trabalhando na área financeira. Em 1986 ele ingressa na Cia. Carris por conta de uma exigência da antiga EBTU (Empresa Brasileira de Transportes Urbanos), empresa pública federal que cobrou a existência de um setor de auditoria interna dentro da empresa.
  Ao nos contar sobre seu ingresso na Carris, nosso colega auditor trás informações importantes para o nosso trabalho. Nos é informado, por exemplo, que a EBTU (um órgão federal criado em 1975 e extinto em 1991) teve como objetivo articular e garantir a efetividade de uma política nacional de transportes públicos. A Carris, por exemplo, tinha a EBTU como proprietária de 25% de suas ações, o que dava poderes de decisão a esta estatal aqui na empresa. Em função desta situação de acionista é que  a EBTU estava autorizada a realizar exigências quanto a administração da Carris. Por isso, foi necessário atender a determinação da empresa federal e o setor de auditoria foi criado. 
    O Sr. Rui também no informa que quando a empresa foi extinta em 1991 as suas ações da Carris foram entregues ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Este órgão, por sua vez, leiloou estas ações na Bolsa de Valores de São Paulo. Foi necessária uma articulação entre a Cia. Carris e a Prefeitura de Porto Alegre para que a compra das ações fosse realizada pelo nosso poder público municipal. Atualmente, 99,9% das ações da Cia. Carris pertencem a Prefeitura de Porto Alegre. 
   Muitos outros fatos interessantes são relatados pelo nosso ex colega. Ele nos conta, por exemplo, que efeitos tiveram aqui dentro da empresa a lei que passou a exigir a realização de concursos públicos para o provimento de cargos nas Empresas de Economia Mista, categoria em que a Carris se encaixa. O conceito de Empresa de Economia Mista remonta a Constituição Federal de 1988, entretanto, esta definição possibilitou diferentes interpretações sobre a forma de contratação de funcionários. Apenas em 1990 o Superior Tribunal Federal decide que as contratações das Empresas de Economia Mista precisam acontecer através de concursos. Entretanto, neste meio tempo de dois anos, muitas contratações foram realizadas na Carris pelo método de seleção através do setor de Recursos Humanos. Esta situação tornou necessário um grande esforço para a regularização destes novos colaboradores contratados. Em seu depoimento, o Sr. Rui nos conta que foi um processo bastante trabalhoso. 
     Sobre a atual situação da Cia Carris, nosso ex colega opina: "(...) Eu olho a Carris como um ente vivo da cidade, a Operação da Carris impacta a vida da cidade e de todos os cidadãos de Porto Alegre (...). Então o que eu quero dizer é que a Carris é importante para a Porto Alegre e que a população de Porto Alegre é a favor da Carris (...)".



      Infelizmente, encontramos em nosso acervo de fotografias digitalizadas apenas uma imagem do Sr. Rui aqui na Carris..... A fotografia que foi postada à cima é de maio de 1993 e o Sr. Rui é o colega de jaqueta de couro e que saiu de olhos fechados na foto.... 
    
     
        

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Memórias de um Motorneiro

     O título deste texto está incompleto... Na verdade o Sr. Pedro Carneiro Rodrigues foi condutor, motorneiro e fiscal nos bondes elétricos da Cia. Carris. Trabalhou na empresa entre 1938 e 1971, trinta e três anos, portanto, de dedicação à Carris. 
    Organizando algumas das pastas de documentação encontramos um pouco da história do Sr. Pedro aqui na empresa. Em um material de nove páginas datilografadas, o ex funcionário relembra algumas histórias de sua trajetória nos bondes de Porto Alegre. Já num primeiro momento é possível constatar que o Sr. Pedro era "muito esquentado", pois a maioria das histórias são de relatos de brigas em que ele se envolveu. Em um dos relatos o autor conta sobre uma confusão que envolveu um inspetor e um chefe de polícia. O texto tem o sugestivo nome de "Abuso de Autoridade" e encontra-se transcrito abaixo: 
 "(...) Houve um incêndio no Club de Regatas Almirante Barroso na Rua Voluntários da Pátria. Eu fiquei com o bonde transportando os passageiros (baldeação) da Rua do Parque até o fim da linha. Uma moto saiu do local do incêndio e foi pela linha do bonde, apesar da via dos outros veículos ser fora dos trilhos do bonde. Eu fui atrás da moto até a Rua São Pedro. Após a Av. Farrapos a linha do bonde é no meio da rua (linha única), daí em diante eu toquei o bonde em cima tocando o tímpano (sineta). Na parada seguinte o motoqueiro parou e eu olhei para ver se ele era normal. Ele tocou para a outra parada e veio me identificar. Eu perguntei o porquê, aí ele se identificou como inspetor de polícia e mandou eu tocar o bonde para o fim da linha. 
    No fim da linha chamou o guarda civil que cuidava dos pedestres que passavam dos bondes Florestas para o São João com baldeações. Quando o guarda chegou perto, ele me agarrou e me empurrou para fora. Eu o agarrei pelo casaco e levei-o junto, como ele ficou no ar eu bati o corpo dele contra o bonde. Mandou o guarda me prender, dizendo que eu estava resistindo a prisão e me deixou incomunicável com o guarda e chamou o camburão.
    Me levou para a delegacia na Rua Riachuelo e me deu um chá de banco de toda a tarde, até o delegado ir embora. Passei a tarde ouvindo piadas de outros policiais: 'esse é o tigrinho, o valente?' Até que chegou o chefe deles, que chamou o fiscal de viagem que foi levado por não me substituir. Expliquei o que aconteceu e ele perguntou ao cara se eu estava calmo assim como no momento. O cara disse que não, que eu parecia uma fera, queria té dar de alavanca nele. Eu disse que ele estava faltando com a verdade. Eu tinha na mão a chave de reversão e se eu quisesse agredi-lo podia, porque a chave na mão é o mesmo que uma soqueira (soco inglês), mas eu não faria isso porque ele já havia se identificado como policial. Diante do chefe ele me desafiou, que iria me encontrar e resolver o caso. 
      Eu disse ao chefe que aquele cara não podia ser policial, que ele era um arruaceiro. O fiscal me disse: 'Vamos embora, não de conversa a estes bichos". Para quê! O chefe perguntou se ele era filho de cavalo, vaca ou de outro bicho. Eu expliquei que era gíria e que gente fina era chamada de bicho pelos pobres (...)". 
   Lendo o restante das memórias do Sr. Pedro ficamos sabendo que esta não foi a única confusão que ele arrumou nos bondes.... Além das histórias das encrencas em que se envolveu, o autor também conta um pouco sobre o cotidiano da cidade naquele período. Em um dos seus textos, por exemplo, é lembrada a prática de encomendar remédios por telefone nas  farmácia e estas enviarem os pacotes pelo motorneiro. O ex motorneiro conta que eram pagas gorjetas aos trabalhadores dos bondes quando prestavam este serviço.
  São muitas as histórias divertidas presentes neste material. Em outro momento iremos publicar aqui no blog mais memórias do Sr. Pedro Carneiro Rodrigues, ex trabalhador dos bondes elétricos de Porto Alegre. 

Tripulação dos bondes em 1965. Não temos a identificação dos nomes dos funcionários. 

segunda-feira, 19 de junho de 2017

A Carris completa 145 anos neste 19 de junho!

      Hoje é uma data muito importante para todos os amigos que acompanham as atividades do nosso setor. A Carris está completando 145 anos! São quase um século e meio acompanhando o desenvolvimento de Porto Alegre. Em todo esse tempo ocorreram inúmeras transformações na empresa, na cidade e no mundo! Criada em 1872, nossa empresa atravessou todo o século XX, um período marcado por grandes transformações tecnológicas e sociais. O transporte urbano, segmento que se insere no cotidiano das pessoas, acompanhou estas mudanças alterando suas tecnologias e buscando adaptar-se a um público que tem cada vez mais pressa. Se no início da Carris, lá no século XIX, era aceitável que os bondes puxados por burros levassem horas entre o  Menino Deus e o Centro, hoje a mesma distância pode ser feita em apenas alguns minutos.  Porto Alegre cresceu assim como a complexidade da vida. Temos que nos locomover por distâncias cada vez maiores e em um tempo cada vez menor. Buscando dar conta desta nova realidade, a Carris também se transformou, se adaptando as necessidades trazidas pelo passar do tempo.
   Assim como as transformações, as permanências também fazem parte de uma história de 145 anos. O amarelo da Carris, por exemplo, manteve-se sempre presente na identidade visual dos veículos da empresa. A cor que é uma referência para a Cia. Carris Porto-Alegrense também é um dos símbolos da Cia. Carris de Ferros de Lisboa. As duas empresas foram criadas em 1872 através de decretos assinados por D. Pedro II, na época Imperador do Brasil. Sabe-se que o amarelo foi uma das cores símbolo do Império, que tinha D. Pedro II como seu representante máximo. Acredita-se, portanto, que as duas empresas têm o amarelo como símbolo em homenagem ao antigo Imperador, responsável pela criação das empresas de transporte de Porto Alegre e Lisboa.
     Transformar-se buscando adaptar-se aos novos tempos, mas mantendo seus símbolos e suas referências. Respeitar a própria história é reconhecer o valor dos caminhos já percorridos e que nos trouxeram até aqui. Seguindo estes princípios é que a Cia. Carris chega aos seus 145 anos. Sabe-se que uma empresa que tem 145 anos interruptos de atividade tem muita história para contar, assim como existem muitas formas de contar estas histórias. Para comemorar este 19 de junho, o setor de Memória da Carris pensou em apresentar as modificações ocorridas em objetos que são corriqueiros em uma empresa de transporte público. Para tanto, foi produzida uma exposição contendo quatro linhas do tempo diferentes: uma da identidade visual da empresa, uma dos letreiros dos seus veículos, uma dos bancos de passageiros e outra das diferentes formas de se cobrar a passagem praticadas ao longo da história da Carris. Esta exposição ficará fixa na sede da Carris entre os dias 19 e 23 de junho. Após este período, ela irá itinerar pelos diferentes terminais da Carris. As datas e os horários em que a exposição estiver em cada terminal serão divulgadas em nossas redes sociais!